Desde pequena eu ouço o velho ditado “Errar é humano”… Mas toda santa vez que eu cometia um erro levava umas palmadas da mãe ou era motivo de zoação no colégio. No mercado de trabalho quem erra é mandado embora. Quem levanta a mão na faculdade é chamado de burro. Quem questiona na igreja, é infiel. Quem erra no casamento separa. O médico que erra na mesa de cirurgia, perde o paciente. Quem erra o passe, perde o jogo… cada erro uma punição, seja ela de forma natural ou comportamental. Ao final das contas, temos como padrão que não se pode errar, simplesmente. Errar não é humano, é burrice, afinal quem gosta de sofrer punições? Perder é inaceitável!

Vamos primeiro destrinchar então a máxima citada no primeiro parágrafo: ERRAR É HUMANO! Porque isso é então um ditado popular? Na maioria das veze esse ditado é usado para justificar um ato errado que conforme julgamento imediato, merece perdão ou conforto. Mas não deveria ser assim, afinal errar é realmente humano. Não só um comportamento humano, mas um comportamento animal. Toda existência é passível de erro, mas não aceita errar. Não pelo erro em si, mas pela punição (seja ela física, social, comportamental…) a qual será submetido.

O que passa despercebido é que vandalizar o erro diminui a quantidade de tentativas, nos torna medrosos, não proporciona aprendizado e suprime a curiosidade. Afinal, quem quer errar? Assim é também perder. Perder é socialmente inaceitável, porém perder é simplesmente uma característica de tentar. Quem faz alguma coisa tem 50% de chance de acertar ou errar, ambos são porcentagens altíssimas, e apesar da tentativa ter sido feita apenas metade das pessoas que tentam serão devidamente recompensadas e/ou reconhecidas e é justamente aquela que acerta. Além de discriminarmos aqueles que erram exaltamos aqueles que acertam como se nunca houvessem errado. Mas digo que é impossível um acerto sem erro, uma vitória sem derrota e um acerto sem tentativa. Temos na história, diversos casos onde o erro foi na verdade um acerto.  E trarei alguns aqui de forma muito breve.

PenicilinaPenicilina

Inglaterra, 1928 – Em busca de uma forma de tratar eficientemente de feridas e infecções, Alexander Fleming estudava uma bactéria causadora de infecções, Staphylococcus aureus,  mas os resultados não se mostravam suficientemente aceitáveis, até o ponto do cientista tirar férias para posteriormente retornar com as pesquisas. Ao retornar, um dos recipientes em que estava contida uma das colônias da bactéria ficou destampado, e acabou por ser contaminada com mofo do laboratório. Observando o recipiente, Fleming pôde notar que a área aonde o bolor se alojou estava com suas bactérias mortas, enquanto o lado livre de fungos permanecia vivo. O bolor era um fungo conhecido como Penicillium, que produzia uma substância bactericida. Fleming batizou a substância de Penicilina, que se popularizou durante a Segunda Guerra mundial no tratamento de soldados feridos. – Em busca de uma forma de tratar eficientemente de feridas e infecções, Alexander Fleming estudava uma bactéria causadora de infecções, Staphylococcus aureus, mas os resultados não se mostravam suficientemente aceitáveis, até o ponto do cientista tirar férias para posteriormente retornar com as pesquisas. Ao retornar, um dos recipientes em que estava contida uma das colônias da bactéria ficou destampado, e acabou por ser contaminada com mofo do laboratório. Observando o recipiente, Fleming pôde notar que a área aonde o bolor se alojou estava com suas bactérias mortas, enquanto o lado livre de fungos permanecia vivo. O bolor era um fungo conhecido como Penicillium, que produzia uma substância bactericida. Fleming batizou a substância de Penicilina, que se popularizou durante a Segunda Guerra mundial no tratamento de soldados feridos.

Raios Xraio-x

Alemanha, 1895 –  A descoberta ocorreu quando Röentgen, um cientista alemão, estudava o fenômeno da luminescência produzida por raios catódicos num tubo de Crookes. Todo o aparato foi envolvido por uma caixa com um filme negro em seu interior e guardado numa câmara escura. Próximo à caixa, havia um pedaço de papel recoberto de platinocianeto de bário. Röentgen percebeu que quando fornecia energia cinética aos elétrons do tubo, estes emitiam uma radiação que marcava a chapa fotográfica. Intrigado, resolveu colocar entre o tubo de raios catódicos e o papel fotográfico alguns corpos opacos à luz visível. Desta forma, observou que vários materiais opacos à luz diminuíam, mas não eliminavam a chegada desta estranha radiação até a placa de platinocianeto de bário. Isto indicava que a radiação possui alto poder de penetração. Após exaustivas experiências com objetos inanimados, Röntgen pediu à sua esposa que posicionasse sua mão entre o dispositivo e o papel fotográfico. O resultado foi uma foto que revelou a estrutura óssea interna da mão humana. Essa foi a primeira radiografia, nome dado pelo cientista à sua descoberta em 8 de novembro de 1895. Posteriormente à descoberta do novo tipo de radiação, cientistas perceberam que esta causava vermelhidão da pele, ulcerações e empolamento para quem se expusesse sem nenhum tipo de proteção. Em casos mais graves, poderia causar sérias lesões cancerígenas, necrose e leucemia, e então à morte.

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Alemanha, 1675 – O cientista alemão Henning Brand estava trabalhando numa teoria na qual urina e outros elementos, após certo tempo conservados, se tornariam ouro. Para isso, ele juntou 50 barris de urina no porão de sua casa e foi viajar. Ao retornar e ir até os barris, o cientista não encontra ouro e nem urina, mas sim uma substância pegajosa, escura e inflamável. Eis o fósforo descoberto em sua forma mais bruta.

Não estou aqui dizendo que erros não existam e que todas as pessoas “acertam” ao errar. Nem tentando cobrir o sol com a peneira, nem nada disso. Mas no mundo atual existem um culto enorme ao acerto e aos benefícios que ele pode nos trazer como: conforto, reconhecimento, progresso… mas ninguém fala que antes de tudo isso foi preciso errar! Não teríamos ciência do que é melhor se nunca tivéssemos experimentado o que é pior. Errar não é apenas humano, é necessário. Devemos parar de crucificar aqueles que erram, e ensiná-los (bem como aprendermos) com isso. Então quando alguém vier te contar sobre quantos acertos tiveram na vida, pergunte-lhes sobre os erros, eles nos ensinarão muito mais sobre essa pessoa e sobre a vida. Se alguém disser que não erra nunca, desconfie. Se alguém morrer de raiva com a perda, ajude, lembre essa pessoa do seu verdadeiro significado.  Se alguém vier te diminuir por algum erro, lembre-o de que aprender não é vergonha alguma, vergonha é ter aquela velha opinião formada sobre tudo!