Terapia Comportamental

A Terapia Comportamental constitui uma abordagem ativa, focada no presente, orientada para o alívio dos sintomas e para a obtenção de resultados num prazo curto. A utilização da Terapia Comportamental (com elementos da Psicoterapia Cognitiva) é adequada para situações como: Depressão (distimia, depressão major e comportamento suicida), Ansiedade (ansiedade generalizada, perturbação de pânico, fobias, agorafobia, ansiedade social, ansiedade de desempenho), Perturbação Obsessiva-Compulsiva, Problemas Conjugais, Problemas Sexuais, Luto, Problemas de Sono, Consumos Excessivos, Perturbações Alimentares, etc. Constitui uma ferramenta muito útil na modificação de comportamentos indesejados e na aquisição de novas competências – de relaxamento, sociais, parentais…

O psicólogo comportamental se apóia em um campo da Psicologia denominado Análise do Comportamento – estudo do comportamento humano de maneira cientifica. Não segue crenças, dogmas ou o senso comum, a Análise do Comportamento faz pesquisas criteriosas e conta com pesquisadores academicamente conceituados em diversas Universidades ao redor do mundo inteiro.

Origens:

A designação Terapia Comportamental é utilizada para designar um grupo de abordagens orientadas para a modificação do comportamento. Surgiu na década de 50, a partir de diferentes localizações, nomeadamente dos EUA, através do trabalho de B.F. Skinner sobre o condicionamento operante, e da África do Sul, através do trabalho de J. Wolpe sobre a dessensibilização sistemática.

Conceitos:

O conceito comportamento refere-se, aqui, à resposta da pessoa face a um estímulo do seu ambiente. Inclui quer as respostas que são observáveis (aquilo que a pessoa faz), quer aquelas que não o são (aquilo que a pessoa pensa e sente). Outro conceito importante é o de aprendizagem. Segundo as terapias comportamentais, os comportamentos constituem respostas aprendidas. Nos casos em que os comportamentos são indesejadas pela pessoa, estes podem ser substituídos, aprendendo outros que sejam mais adequados. Por exemplo, uma pessoa que, face a uma situação geralmente inofensiva, tenha aprendido a vê-la como perigosa, a sentir medo, e a evitá-la / fugir dela, pode substituir esta resposta aprendendo a resposta oposta, de relaxamento.

A aprendizagem de comportamentos pode assumir várias formas, nomeadamente:

Condicionamento Clássico. Aplica-se à modificação dos comportamentos involuntários. É um tipo de aprendizagem em que se associa um estímulo incondicionado, que desencadeia naturalmente uma determinada resposta, com um estímulo neutro, que não desencadearia essa resposta. Esta associação faz com que, após algumas repetições, o estimulo inicialmente neutro passe, por si só, a desencadear a resposta. Por exemplo, numa consulta de dentista, uma intervenção dolorosa (estimulo incondicionado) gera uma resposta de contração (resposta incondicionada) Esta intervenção dolorosa é acompanhada pelo som caraterístico dos instrumentos (estimulo neutro). Ao fim de algumas consultas, o som dos instrumentos (estimulo condicionado) passa por si só a desencadear a resposta de contração (resposta condicionada)

Condicionamento Operante. Aplica-se à modificação dos comportamentos voluntários. É um tipo de aprendizagem em que as consequências de um comportamento influenciam a probabilidade de este voltar a ocorrer. Assim, um comportamento pode ter como consequência a ocorrência de algo agradável (reforço positivo) – por exemplo, o aluno que tem um bom desempenho e é elogiado – ou a remoção de algo desagradável (reforço negativo) – por exemplo, o doente que toma os comprimidos e deixa de ter dores. O reforço aumenta a frequência do comportamento. Ou o comportamento pode ter como consequência a ocorrência de algo desagradável (punição positiva) – por exemplo, a criança que faz uma birra e é repreendida – ou a remoção de algo agradável (punição negativa) – por exemplo, o adolescente que reprova e é proibido de jogar no computador. A punição diminui a frequência do comportamento.

Modelagem. Aplica-se á aquisição de novos comportamentos ou à modificação de comportamentos já existentes. É um tipo de aprendizagem através da observação do comportamento dos outros e das suas consequências para eles. Se o observador vê o comportamento do outro ser reforçado, tende a reproduzi-lo – por exemplo, o aluno que vê o colega participar na aula e obter reconhecimento por isso, aumenta a sua participação. Se o observador vê o comportamento do outro ser punido, tende a inibi-lo – por exemplo, uma criança que vê o irmão colocar o dedo na tomada e começar a chorar não coloca o seu dedo na tomada.

Técnicas:

A intervenção é de curto prazo e focada no presente. Frequentemente envolve tarefas a realizar entre sessões. Parte de objetivos definidos com base naquilo que a pessoa deseja mudar, que geralmente é um ou mais comportamentos específicos e indesejados. Centra-se na modificação do(s) comportamento(s). Algumas técnicas são:

Análise Funcional do Comportamento: Identificar a função do comportamento-alvo articulando o estímulo que desencadeou o comportamento, o comportamento em si, e a consequência desse comportamento, que faz com que este se mantenha. Por exemplo, as birras de uma criança (comportamento) ocorrem no supermercado (estímulo) e terminam quando a mãe compra o objeto pretendido (consequência)

Dessensibilização Sistemática: A pessoa é exposta a uma situação temida, seja na imaginação ou na realidade. A exposição é feita de forma gradual. Por exemplo, uma pessoa com agorafobia (medo de locais dos quais é difícil sair) pode imaginar-se ou ir efetivamente a locais progressivamente mais ameaçadores (a sua rua, uma rua no outro lado da cidade, um centro comercial, uma sala de cinema…). Essa exposição, que habitualmente desencadeia uma resposta de ansiedade, é acompanhada por procedimentos de relaxamento, e a pessoa aprende a substituir a primeira resposta pela segunda.

Contrato de Contingências: Contrato verbal ou escrito entre a pessoa e o terapeuta que define o comportamento-alvo e as consequências positivas ou negativas para comportamentos desejados e indesejados. Por exemplo, de cada vez que a criança fizer uma birra, deve ser levada para um local sem distrações, onde ficará durante um período de tempo determinado (5-15 minutos), ou até se acalmar.

Treino de competências: Abordagem que visa a aquisição e treino de competências de que a pessoa necessite. Por exemplo, treino de competências sociais, treino de assertividade, aquisição de técnicas de relaxamento, educação parental, aquisição de métodos de estudo…

Texto elaborado por Ana Catarina Dias – Psicoterapeuta

Para me conhecer um pouco mais, você pode acessar minha pagina de Apresentação.

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